História

A sede da Fazenda União encontra-se edificada em terras que, inicialmente constituíam uma sesmaria concedida em 1802 a Laureano José do Amaral. Em 1813 vende-a a João Pereira Nunes e em 1814 é vendida ao Capitão Bernardo Vieira Machado.

Mineiro do município de São João Del Rei, o Capitão Bernardo migrou com a família para Valença, em pleno advento do café nos “Sertões do Rio Preto”. Em 1814 deu-se início a exploração da sesmaria adquirida, que batizou com o nome de “Fazenda Paraízo”.

Com a morte do Capitão Bernardo em 1838, sua viúva D. Escolástica Maria de Jesus e filhos, herdam Paraízo.

Dos 14 filhos do Capitão Bernardo, sete estabeleceram-se na sesmaria, dando origem a outras Fazendas como: União, Esperança e Sapucaia; São Luis, Fazenda São Polycarpo e o sítio Sossego.

Após a morte da viúva D. Escolástica, a maior parte dos herdeiros se desfaz de suas propriedades e muda-se para a inexplorada província do Espírito Santo. Assim se sucederam com os herdeiros José Vieira Machado e sua esposa D. Lina Laudegária Vieira e Souza, que haviam fundado o Sítio União em meados da década de 1830. Em 05 de setembro de 1853, o casal vende seu legado a Antônio Pereira da Fonseca Júnior, com “casas e plantações”, como consta nas escrituras lavradas em cartório.

Fonseca adquire no mesmo ano e dia, parte de outros herdeiros, como as terras das herdeiras Maria Bernarda e Ana Maria, que as batizam com o nome de Esperança. O Sítio União passa a denominar-se Saudades do Rio.

Ávido da necessidade de novas terras para expansão de seu “Império Cafeeiro”, Domingos Custódio Guimarães, então Barão do Rio Preto, adquire em 19 de setembro de 1859, as terras de Fonseca.
Juntas em uma só propriedade, Rio Preto forma a Fazenda União retomando seu nome primitivo.

O empreendedor Barão do Rio Preto, mais tarde Visconde do Rio Preto, ampliou os cafezais da União, transformando-a numa das mais prósperas e ricas fazendas da recém criada freguesia de Santa Tereza de Valença. Colocou sua administração nas mãos de seu filho Domingos Custódio Guimarães Filho.

Por volta de 1867, Domingos Filho casa-se com D. Maria Bibiana de Araújo, filha do Visconde de Pirassununga e neta do Regente Marquês de Olinda. Em função do casamento, Domingos recebe como dote a Fazenda União e mais a de Santa Tereza, que o pai havia adquirido na mesma época que a União.

Com a súbita morte do Visconde do Rio Preto, ocorrida em sete de setembro de 1868, Domingos Filho, herda grande parte da fortuna acumulada pelo pai durante anos. Investe grande parte de sua herança – constituída na maioria em dinheiro – na aquisição de novas fazendas e escravos.

Em 1870, adquire do cunhado a vizinha fazenda de São Policarpo, formando o complexo de fazendas formadas por Santa Tereza, União e São Policarpo,
Das três fazendas, Domingos escolhe para sede de todas, a São Policarpo, pela facilidade de acesso com a estrada principal. Desde então dá início a construção do majestoso solar de São Policarpo, que só ficaria pronto em 1872.

No ano de 1873, os planos de então segundo Barão do Rio Preto, mudariam por completo.
Morre em um acidente trágico, sua mãe, a Viscondessa do Rio Preto.
Depois de realizada a partilha dos bens da falecida, o Barão herda a milionária Fazenda Flores do Paraízo e mais outros bens.

Rio Preto vê diante de si um grande desafio: como administrar tamanho patrimônio, quando a economia cafeeira já mostrava sinais de declínio?
Não vê outra alternativa se não vender parte do patrimônio, para inclusive saldar dívidas obtidas com investimentos em suas três fazendas.

Vende em 1873 no mesmo dia, as fazendas São Polycarpo, Santa Tereza e União. A União é adquirida pelo médico Dr. Camilo Bernardino Fraga e sua mulher D. Luiza Vieira da Cunha Fraga, filha do Barão de Rio das Flores.

Dr. Camilo que havia servido durante anos como médico particular da excelentíssima Marquesa de Baependy, investe grande parte de seu capital na Fazenda União, dando continuidade ao trabalho iniciado pelo Barão do Rio Preto. Reforma a casa de morada, onde passa a residir com a esposa.
Na reforma são acrescentados elementos decorativos comuns no final do século XIX, como por exemplo, os lambrequins, as sobrevergas, papel de parede de padrão europeu e cores diversas nas esquadrias. É a moda do estilo “chalé” que substituiu o neoclássico na segunda metade do século XIX.

Dr. Camilo viveria até 1888, e nos anos seguintes a viúva enfrentaria dificuldades para gerir a fazenda em plena decadência da economia cafeeira.
D. Luizinha, como era conhecida, em 1901 hipoteca a fazenda ao Dr. João Alves Montes e em 1918 se desfaz da fazenda vendendo-a.

Em 1920, a fazenda encontrava-se em posse do ex-padre Melchiades Augusto de Mourão Mattos, casado com Olga Morgante Ferreira. Estes por sua vez, não ficariam muito tempo na fazenda vendendo-a logo em seguida a José Rodrigues de Almeida e sua esposa, Prudência.

Neste período, já não é mais o café a principal atividade econômica da fazenda, e sim o gado leiteiro, que se tornaria o segundo ciclo econômico das fazendas do “vale”.

Após a morte de José de Almeida, a fazenda é dividida entre os herdeiros. Pedro Antônio de Faria casado com a filha de José, D. Leonídia, e mais o irmão Aristides Faria, fazem uma sociedade na parte que lhes coube na herança.

Anos depois, com a morte do casal Pedro Antônio e Leonídia, a fazenda é passada aos herdeiros; Vicente Chispim de Oliveira e sua esposa Filomena Faria de Oliveira, que compram as partes dos outros herdeiros em hasta pública.

Em 1989, a União é vendida pelos herdeiros de Filomena Faria de Oliveira ao arquiteto João Reis especialista em restauração de patrimônio histórico e recuperação de fazendas de café que trabalha na recuperação da fazenda e na divulgação da história do café no vale.

Atualmente a Fazenda União pertence ao Sr. Mário Vasconcellos e sua esposa Claudia Dorville, empreendedores e incentivadores da preservação do patrimônio histórico brasileiro e principalmente na preservação da história do ciclo do café no vale do Paraíba. A Fazenda União abre as suas portas para hospedagem e visitas guiadas para que os visitantes possam mergulhar no túnel do tempo e reviver um dos momentos históricos mais importantes da história do império brasileiro no século XIX.


Central de Reservas (Seg a Sex - 9h às 18hs / Sab e Feriados - 9h às 16hs): (24) 2491-1044 :: (24) 2491-2685 :: Fazenda: (24) 2458-1701 :: Estrada do Abarracamento (RJ - 135) Km 25 | Abarracamento - Rio das Flores - RJ